No município fluminense de Quatis, situado no Vale do Paraíba, Perpétua do Socorro Alves e Helena Fabiano Teixeira Leite lançaram, recentemente, o livro didático Minha terra, minha gente.
Formadas em Estudos Sociais/História e Língua Português/Literatura, respectivamente, as duas professoras da rede pública de ensino uniram seus saberes e escreveram uma obra que Paulo Freire certamente aplaudiria. Consideradas as dificuldades por que passa o professorado, mais cômoda lhes seria a adoção de material já existente. Foram além: criaram!
Destinado à terceira série do primeiro grau, quando se aborda a noção de município, o livro leva o aluno a um passeio pela História e pela atualidade quatienses. Mantendo sempre a interdisciplinaridade, vale-se de textos voltados para a realidade local, alguns extraídos de antigos jornais da região, além de fotos e mapas alusivos à cidade. Sendo assim, propicia a oportunidade de que professores de Estudos Sociais e de Língua Portuguesa desenvolvam seus trabalhos de maneira integrada.
Em tempo de globalização, que descaracteriza a diversidade cultural, massifica, impõe modelos alienígenas, torna-se fundamental a existência de educadores capazes de valorizar o regional. Cabe, mais uma vez, lembrar Paulo Freire: “Quanto mais alguém quer ser outro, tanto menos ele é ele mesmo. [...] É preciso partir de nossas possibilidades para sermos nós mesmos. O erro não está na imitação, mas na passividade com que se recebe a imitação ou na falta de análise ou de autocrítica”.
Também cientes de que, paralelamente à valorização do regional, é importante a inserção no universal, de forma crítica, não alienante, Perpétua e Helena inauguraram a primeira locadora de livros da cidade. Sabedoras da importância do ato de ler, estão propiciando aos quatienses, a preços acessíveis, a convivência com outras realidades e a consequente ampliação de seus horizontes. Dessa maneira, essas educadoras têm contribuído não apenas para a formação de novos leitores como também de cidadãos mais conscientes.
Wanderlino Teixeira Leite Netto (Texto publicado no jornal O Correio em junho de 1998).